acidentes

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SÃO PAULO - Um caminhoneiro morreu na altura do quilômetro 310 da Rodovia Régis Bittencourt, município de São Lourenço da Serra, no sentido São Paulo. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o motorista saiu da pista e caiu numa ribanceira. Não há congestionamento por causa deste acidente. Já no sentido Paraná, o motorista enfrenta cerca de 20 km de lentidão, a partir do quilômetro 318 até a cidade de Juquitiba por causa do excesso de veículos.

A saga dos caminhoneiros

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Depois de três anos do início das filmagens, "Jorge, um Brasileiro" chega às telas (em Curitiba, estréia dia 2 de março, cines Lido I e Itália). Super produção para os padrões brasileiros - mais de 30 empresas se associaram ao projeto de Paulo Thiago, pavimentando o projeto com empréstimos desde quadros até carretas e caminhões - a transposição às telas do romance de Oswaldo França Júnior há muito vem sendo aguardada.

Problemas de laboratório impediram que a cópia ficasse pronta para disputar festivais em 1988 - inclusive representando o Brasil no FestRio, em novembro, mas agora, independente de seu lançamento num grande circuito nacional, estará competindo em festivais nacionais (talvez em Gramado, em maio próximo) e internacionais.

Só para transformar o livro de Oswaldo França Júnior em roteiro foram oito meses de trabalho. Agora, este romance que conta a saga de um grupo de caminhoneiros por enlameadas estradas do Interior, deverá atingir ainda um público maior - ampliando edições que se sucedem há 22 anos e que o fazem passar da casa dos 200 mil exemplares vendidos.

Para o sucesso do filme vai contar muito uma coincidência: há três anos, o diretor Paulo Thiago reuniu Carlos Alberto Ricelli e Glória Pires - o casal de vilões da telenovela "Vale Tudo" (na época nem se pensava neste folhetim eletrônico). Mas no filme Ricelli é o personagem-título, Jorge, que tem a difícil missão de resgatar uma carga retida num atoleiro em Governador Valadares e levá-la a Belo Horizonte a tempo de se inaugurar uma refinaria de milho. Uma missão difícil: as chuvas que há 40 dias castigam a região deixaram mais de 300 mortos e 69 pontes destruídas. Mas Jorge é um brasileiro decidido e vai em frente.

Glória Pires (Maria de Fátima) é uma suave enfermeira (Sandra) que procura mostrar que o patrão americano, Mario (Dean Stockwell) não é flor que se cheire. Outros personagens humanos, com jeito do povo, cruzam neste filme que teve 64 dias de rodagem e mais de 500 outros para finalmente chegar às telas.

Ele tem dez dias para atravessar estradas, florestas, rios e chegar ao destino com aquelas cinco enormes carretas, carregadas com algumas toneladas. Chove abundantemente na região. As pontes são destruídas, as estradas enlameadas, os rios fora dos leitos naturais.

Fefeu, Toledo, Oliveira, Teo, Altair são alguns dos caminhoneiros que acompanham Jorge nesta missão. Cada um tem a sua história, sua raiva, sua personalidade e sua paixão. Mas todos têm uma vontade comum: vencer o desafio da natureza e chegar a Belo Horizonte no dia marcado.

Basicamente, esta é a história de "Jorge, Um Brasileiro", que após ter sido um dos maiores sucessos nestes últimos anos como romance está chegando às telas, num filme que poderá representar o Brasil em festivais internacionais.

Um ator americano, de 53 anos, 44 de cinema (estreou com apenas onze no filme "Marujos do Amor/Anchors Weight", 45, de George Sidney) Dean Stockwell, é também presença de destaque, com Mário, o patrão de Jorge, dono dos caminhões que na verdade se constituem em personagens da história. A contratação de Stockwell para o filme foi uma forma de abrir o mercado internacional, já que este ator tem aparecido em muitos (e importantes) filmes nos últimos anos - como "Veludo Azul" e "Paris Texas".

No elenco feminino, além de Glória Pires, há presenças de destaque como Denise Dumont - que há 3 anos apareceu em "A Era do Rádio" (Radio Days, de Woody Allen) e atualmente mora nos EUA, como a personagem Fernanda; Imara Reis e Denise Bandeira também estão em papéis de destaque.

Os caminhoneiros são interpretados por Roberto Bonfim, Paulo Castelli, Antonio Brassi e Jackson de Sousa - atores de tarimba, muitos deles também vistos em telenovelas.

Cinema nas Estradas- "Jorge, Um Brasileiro", dirigido por Paulo Thiago, 43 anos, mineiro de Aimorés, integra-se numa categoria de cinema que pode-se chamar de "cinema das estradas". Ou seja, filmes em que a ação se passa em exteriores, nas estradas. Nos Eua, o gênero road movies tem uma ampla filmografia - e, em termos europeus, o alemão Wim Wenders vem marcando sua obra com filmes nos quais a estrada é parte integrante da ação - como em "Alice nas Estradas" ou no premiado "Paris Texas", que o consagrou internacionalmente.

A filmografia é extensa (ver texto à parte, nesta mesma edição) e uma prova do gênero visto por olhos juvenis é o recente "O Mentiroso", produção gaúcha, rodada entre 1986/87, de Werner Schulmann, premiado no Festival de Brasília-88, um dos filmes que representaram o Brasil no último FestRio e cuja ação se passa, em grande parte, na BR-116, entre Porto Alegre e Florianópolis.

A ação de "Jorge, Um Brasileiro" é nas estradas do Interior, em Minas Gerais, onde o filme foi rodado com a colaboração de órgãos rodoviários. Também a Volvo S/A colaborou basicamente com a produção, não só cedendo os caminhões, mas entrando como uma das co-financiadoras do projeto (orçamento de US$ 750 mil)

Por esta razão, os diretores da Volvo foram os primeiros a assistirem ao filme, numa sessão reservada ocorrida há dois meses, quando a primeira cópia foi finalizada. A produtora-executiva do filme, a mineira Gláucia Camargo, 37 anos, esposa do diretor Paulo Thiago, aqui esteve acertando com o jornalista Jota Pedro, gerente de comunicação da Volvo, um esquema internacional para a promoção do filme - já que a empresa multinacional dará apoio logístico quando o filme chegar ao Exterior.

O personagem- Falando sobre o personagem Jorge, o caminhoneiro - interpretado por Carlos Alberto Ricelli, a produtora Gláucia Camargo diz:

- O caminhoneiro é o cavaleiro andante dos tempos modernos. Pela sua própria peculiaridade de atividade, o caminhoneiro desperta no grande público muito interesse de conhecimento. Seu lado aventureiro é apaixonante. O sentido de liberdade de estar na estrada se manifesta nos jovens, quando vemos nos grandes centros urbanos, vez por outra, um jeep carregado de pranchas e demais apetrechos, as pick-ups "incrementadas" com pinturas berrantes e buzinas estridentes, as mochilas dos caroneiros, prontos para mais uma aventura, sentimos o atrativo de nos colocarmos "na estrada"... on the road como dizem os americanos.

O diretor Paulo Thiago, que já adaptou ao cinema textos do escritor mineiro Guimarães Rosa (1) - "Sagarana, o Duelo" e do escritor paraibano José Américo de Almeida (2), "A Bagaceira", além de ter, realizado uma superprodução sobre a invasão dos holandeses em Pernambuco ("Batalha dos Guararapes"), há seis anos fez um filme sobre o mundo do jogo do bicho no Rio de Janeiro, "Águia na Cabeça". Agora adaptando o romance de Oswaldo França Júnior (3), fez um filme que terá grande comunicação não só com o próprio mundo dos caminhoneiros - (e no Brasil há um milhão, dos quais 50% são autônomos, micro-empresários, donos de seus próprios caminhões e 70% deles se concentram na região Sul, milhares no Paraná), mas com o público em geral. A propósito, Paulo Thiago comenta:

- A peripécia do caminhoneiro é um pouco a peripécia de todos nós. Viajar, conhecer, reconhecer, integrar-se desintegrando-se no universo tão aberto e acolhedor da estrada. A atividade do caminhoneiro se traduz sobretudo pela ação constante. Esse deslocamento permanente quando abordado num filme, se traduz na realização de uma obra de agilidade, movimento, emocionalidade - emotividade humana - acerscenta.

O caminhoneiro é o tipo "popular charmorso", diz também Gláucia Camargo.

- "Existe certa mística com relação a sua imagem, que se traduz na prática por um profundo fascínio pelo personagem. Suas longas viagens estão sempre perpassadas por encontros com os mais diversos tipos humanos, freqüentemente marcados por doses de humor, amor e ação".

LEGENDA FOTO 1 - As filmagens foram feitas no interior de Minas Gerais, em estradas sem pavimentação - pelas quais trafegam veículos pesados cedidos pela Volvo.

LEGENDA FOTO 2 - Paulo Thiago, dirigindo seqüências de "Jorge, Um Brasileiro".

NOTA (1) - "Sagarana, o Duelo", foi adaptado de um dos contos de João Guimarães Rosa (Codisburgo, MG, 1908 - Rio de Janeiro, 1967), considerado um dos maiores escritores brasileiros.

NOTA (2) - "A Bagaceira", romance de José Américo de Almeida (1887-1980) é considerado um clássico do chamado "ciclo do romance nordestino". Foi publicado em 1928.

NOTA (3) - Oswaldo França Júnior, 52 anos, foi cassado como 2o tenente da Aeronáutica, em 1964, e antes de se tornar escritor profissional perambulou por várias profissões. Seu último livro é "No Fundo das Águas", lançado pela Nova Fronteira.

A história de Junior, o skatista caminhoneiro

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Foto: Homero Nogueira

em só de super-heróis vive o Skate. Para cada Rodrigo TX, Gerdal ou Bob, existem milhares de heróis anônimos, cuja obstinação e amor ao carrinho mantém o Skate vivo e forte. São eles que consomem as peças assinadas pelos profissionais, garantindo a sobrevivência das marcas e o fortalecimento do mercado. Sem os anônimos não existem os super-heróis. Ser herói de quem? Ser herói para que? São partes entrelaçadas e importantes de uma mesma estrutura, mais importante que ambos, mas que – em contrapartida – não sobrevive sem eles: o Skate.

Não consigo deixar de pensar numa coisa que o Chuck Treece disse nessa mesma edição: “somos todos importantes para o skate”. Essa frase endossa a idéia por trás dessa matéria, que é valorizar os heróis anônimos do Skate. Como Junior, skatista de Tubarão (SC), que cruza as estradas do Brasil no seu caminhão. Isso mesmo: um caminhoneiro que anda de skate, cuja história será contada a partir de agora...

Criado na boléia

Nascido e criado em Tubarão (SC), Sálvio Sandrini Junior conheceu o skate em 1985. Mas antes disso já havia conhecido outra grande paixão da sua vida, o caminhão. “Desde pequeno eu viajo com meu pai, que é caminhoneiro também. Isso aí já vem de família”, afirma Junior, cujo apego ao caminhão ficou visível durante a sessão de fotos: a cada três tentativas da manobra, ele ia dar uma olhada na sua carreta Scania vermelha, carinhosamente apelidada de “Bruto”. “Deixa eu ver como o Bruto está”, falava Junior, averiguando se tudo estava OK com seu instrumento de trabalho, estacionado a poucos metros do local. Bruto intacto, Junior voltava pra sessão. O ritual repetiu-se pelo menos umas cinco vezes durante a sessão de quarenta minutos no monumento da Castelo Branco (SP).

Antigamente Junior se dividia entre o skate e o surf. “Tubarão é pertinho da praia, fica uns 15 km do Farol de Santa Marta, aí eu só queria saber de ficar na praia”. O tempo passou e vieram as responsabilidades da vida adulta: “Eu saí do exército e percebi que tinha que fazer alguma coisa. Daí caí na estrada”, diz. Filho de peixe, peixinho é, e Junior adotou a profissão do pai. Já se vão doze anos desde sua primeira viagem, sempre contando com a companhia do skate. “Desde a época que eu viajava com meu pai eu já levava o bico de tubarão debaixo do banco do caminhão. Quando parava eu já dava um rolezinho, umas batidinhas”, conta.

Trilho ambulante

O seu caminhão carrega muito mais do que as cargas que garantem sua sobrevivência. Carrega marcas e símbolos que identificam sua opção diferenciada de vida. No lugar das tradicionais frases de caminhoneiro, na traseira do Bruto está escrito em letras garrafais: SKATEBOARD. Logo abaixo a frase “Crucificados pelo sistema”, título do álbum do Ratos de Porão, uma de suas bandas favoritas. Pra completar o quadro ainda tem uma batelada de adesivos de skate, inclusive um da Cemporcento.

Mas a carga mais preciosa que o Bruto transporta não é tão leve quanto um adesivo. Como nem sempre é garantido encontrar cidades com bons picos para andar de skate, Junior resolveu esse dilema carregando a tiracolo um trilho. “Comecei a levar o trilho faz uns dois anos, porque eu passava por umas cidades que não tinham picos para andar. Então eu decidi fazer o trilho e comecei a levá-lo comigo”, esclarece o esperto caminhoneiro, que agora não passa mais perreio. Na pior das hipóteses procura um chão liso, descarrega o trilho e está garantida a sessão.

E o que pensam os outros caminhoneiros sobre o skate? “Eles nem acreditam, têm uns que acham que é brincadeira, que eu estou me ‘fazendo de bobo’. Não sabem que eu gosto de verdade, que é tipo uma cultura mesmo”, relata. Não é só no caminhão que Junior carrega a influência cultural do skate: “Lá em casa as prateleiras são feitas com shapes velhos”.

Desbravando o Brasil

A rotina desgastante da vida na estrada tem pelo menos uma grande compensação: conhecer novos picos para andar de skate. Quando encontrei com Junior, levei a edição 114 da CemporcentoSKATE, aquela que tem o Paulo Galera na capa. Os olhos do caminhoneiro brilharam: “Já andei nesse monumento”, disse ele apontando para a capa da revista. “É em Ipatinga (MG), né?”. Além de Ipatinga, já levou seu caminhão, seu trilho e seu skate para muitas outras localidades desse Brasilzão: “Leste de Minas, Belo Horizonte, Itabira, Jaraguá do Sul, Valadares”, vai relembrando. “Aí a galera das cidades já fala: ‘Olha, o caminhoneiro tá aí!’. Tem um monte de gente que só me conhece por caminhoneiro, não sabe nem o nome”, se diverte Junior, absolutamente a vontade com o apelido de Caminhoneiro do Skate.

Apesar do skate funcionar como uma terapia para combater a solidão da estrada, certa precaução é necessária. Afinal não dá pra correr o risco de se machucar mais seriamente no meio de uma viagem, com o caminhão carregado e um cliente à sua espera. “Não posso me atirar, fazer loucura... Uma vez andando sozinho numa pista em Minas, caí de cabeça e não sabia nem onde eu estava (risos). Perguntava pra molecada: ‘Onde é que eu tô? O que estou fazendo aqui?’ (risos). Passei um perrengue desgraçado (risos)”. É rir pra não chorar, não há dúvida. E os acidentes caseiros também causam transtornos profissionais: “uma vez em Tubarão eu quebrei o braço, aí tive que viajar com meu coroa um mês. Ele dirigindo e eu do lado incomodando, de braço quebrado (risos)”.

Medo na Régis Bittencourt

Além do sono, o maior perigo pro caminhoneiro são os assaltos, tão frequentes nas rodovias brasileiras. Por isso a segurança é um tema central na vida desses trabalhadores. É preciso estar sempre alerta: fritar o peixe olhando o gato, como diz o ditado. “A segurança o cara tem que procurar. Se o cara vacilar... Eles levam”, admite. “Hoje roubam muito é no vacilo do caminhoneiro. Conversa com qualquer um, dá idéia pra qualquer um, é onde o pessoal cai”.

Nesses doze anos de profissão, Junior só passou por uma situação de real perigo. Ele relembra: “Foi uma vez na Serra do Noventa, na chegada de São Paulo, na Regis Bittencourt. Subindo a serra, umas quatro da tarde, encostaram do meu lado, mandaram eu parar, daí deram um tiro. Eu parei, mas eles estavam meio distantes, então eu abri a porta e saí correndo, catando cavaco. Não levaram o caminhão porque eu não estava junto. Essa já é uma das vantagens do skate, né cara? Tava no hip, ví os caras, já abri a porta e pulei direto. Quando eles desceram do carro eu já tava longe, tava com a agilidade de um gato (risos)”. Foi só um susto, mas deixou lembranças bem desagradáveis. “Foi cabreiro, e hoje eu sei porque o nome é cagaço: fiquei com vontade de cagar o dia inteiro (risos). Fiquei uns dois meses com aquela angústia de achar que tinha alguém me seguindo”.

Na contramão do estereótipo

As aparências enganam. Quem olha o Junior chegando no seu caminhão, camiseta do AC/DC, cabelo comprido e o corpo forrado de tatuagens, logo imagina que ele se enquadra no estereótipo do doidão, que cai na estrada e enfia o pé na jaca. É justamente o contrário. É um cara tranquilo, muito apegado a família e casado há sete anos. “Bem casado, bem casado, apaixonado pra caralho”, confirma com a felicidade estampada no rosto e pegando o celular pra mostrar orgulhoso as fotos da família Sandrini. A esposa Fabiane, as filhas Natália (7 anos) e Vitória (5 anos), além do pastor capa-preta Ozzy. As filhas já incorporaram o estilo de vida do pai skatista: “ah, pai, queria ter dinheiro pra ter dar um skate”, vivem repetindo as pequenas, enchendo de orgulho o pai coruja.

A rotina é implacável, a estrada chama e Junior chega a ficar uma semana longe de casa. Mas isso é o máximo que ele agüenta. Então volta para Tubarão, e têm de 3 a 4 dias para matar a saudade da família e andar de skate com seus amigos. “Mas não tem essa de data: Dias dos pais, aniversários, qualquer dia é dia. Só Natal e Ano Novo que é sagrado. Mas a saudade fortalece, o amor fica bom (risos). E também mantém minha mente livre de besteiras”, confidencia com um sorriso no rosto. O skate também ajuda a manter a mente sã: “Eu me divirto tanto andando de skate que eu não preciso fazer essas loucuras que a rapaziada pensa que eu faço. Pego o skate, dou um rolê, começo a gritar, a falar palhaçada... chego em casa fico com minha gata, minhas filhas, meu cachorro e tá sossegado”.

Pé na estrada e borda queimada

Estrada sem música não dá, e Junior carrega mais de 150 CD´s no porta-luvas (“todos originais”), fora os mp3´s com discografias completas de bandas como Black Sabbath (tá explicado o nome do dog), Led Zeppelin e AC/DC. Das novidades, ele cita Wolfmother. Além do skate, tem também um violão na boléia do seu caminhão: “Gosto de tocar um violão. Mas só um rockzinho mesmo, um Ramones... Gosto mesmo é de rock’n’roll. Música boa, como diz o outro, tem a música boa e a música ruim. Eu gosto de música boa!”, afirma com convicção.

Como todo caminhoneiro, Junior passa mais tempo viajando do que em casa. Mas quando está em Tubarão, é facilmente localizado no Anjeloni, um mercado abandonado que foi transformado num pico de street pela galera local. “É a Anjela Crew”, diz. Acostumado com a solidão da estrada, o caminhoneiro também se satisfaz com um rolê mais introspectivo: “De vez em quando, o que eu gosto mesmo é chegar em casa depois de viagem, pegar meu mp3 player, ir pra ‘barranca do rio’ (que é toda arborizada e com asfalto bem lisinho) e sair remando sem rumo, escutando som. Ventinho na cara, um ollie pra cá, um ollie pra lá... Chego em casa satisfeito. A mulher até fala: ‘Tava precisando né?’. Tá na veia, cara”, conta, demonstrando na sua fisionomia a paz de espírito que momentos como esse são capazes de proporcionar.

Caminhoneiro de profissão e skatista de alma, Junior não consegue enxergar a vida sem suas duas grandes paixões. “Se eu viajar e não levar o skate pra dar um rolezinho, acho que ia entrar em depressão. E o caminhão tá no sangue também. Se eu ficar um mês em casa já começo a discutir, tenho que ir pra estrada mesmo. Aí volta tudo ao normal. Pé na estrada e procurando borda queimada”.

revista de caminhoneiro

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Número 1 - Janeiro 1985
A capa perguntava até quando teríamos a insegurança nas estradas. Na abertura, o título: "Na rota da morte", seguido da informação: "acuados por assaltantes cada vez mais audaciosos, que semeiam terror e morte nas estradas e acarretam prejuízos materiais de cerca de 1 bilhão de cruzeiros por dia, os caminhoneiros reclamam maior eficiência numa luta que agora reúne empresários do transporte, secretarias da Segurança e o governo federal". O cantor Roberto Carlos contou como criou a música "Caminhoneiro", revelando muita afinidade com os caminhoneiros, depois de dirigir uma carreta com competência profissional.

arte em caminhoes no USA

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Caminhões Tanque Americanos em Escultura Metálica.

Os caminhões vistos acima foram usados em uma escultura metálica. Tá na cara que só tem a “casca”, não acredito que o peso de um “bruto”, com todo seu conteúdo, iria permitir que estrutura parasse em pé. É meio difícil entender a razão pela qual um artista faz uma coisa destas. A fotografia foi registrada num grande evento artístico americano, chamado de “Burning Man” e que ocorre a cerca de 40 anos no deserto de Nevada, USA.